Da gritaria ao sussurro
- Isabela Galvão

- 20 de jun. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 21 de jun. de 2021
Uma vez lhe disseram que ela era o não planejado mais planejado da vida. E ela levou a sério, porque sua vida nunca foi um episódio piloto de uma série cancelada.
Alguns dizem que desde quando aprendeu a falar, não parou mais. Suas imensas histórias atropeladas de comentários detalhistas perfazem as poucas pausas de respiração.
Sempre em companhia de poucos, doada por amizades sinceras. Sem entender o sentimento de amar e o ato de julgar. Desconfiada a ponto de duvidar milhões de vezes de si mesma. Pontual como o big ben. Impaciente a ponto de querer tudo para hoje, aqui e agora. Libriana justiceira, deve ser por isso que os filmes de super heróis a cativam. Foge de decisões sempre que possível, é como uma concha no mar, está onde a onda a leva. Do berro ao sussurro, excede os limites. Nunca metade e nem meio. É chegada ou saída. O olá ou o adeus.
Na escola, durante as aulas de história, ela viajava e imaginava qual profissão iria seguir, cogitava ser professora por admirar a sabedoria que cada um de seus mentores carregava consigo. Nas aulas de língua portuguesa se esforçava ao máximo para entender as infinitas regras de gramática, enquanto se revoltava escrevendo textos bruscos demais pra quem tinha apenas 14 anos.
Nas noites em que passou acordada, nunca se sentiu só. Testemunhas são os rabiscos presos nas gavetas da mesa de cabeceira. Benditos são os cadernos perdidos, levaram consigo uma mente barulhenta que não tinha voz.
Num belo dia, não decidiu ser jornalista. Não decidiu porque o jornalismo já havia decidido por ela. Não sabe se foi enquanto escrevia em seu computador antigo com monitor CRT ou liderava as apresentações de trabalho na escola. Mas o fato é que em determinado momento percebeu que não havia outra coisa no mundo que lhe fizesse mais feliz que ouvir histórias.
O futuro não é citado, pois nem ela mesma saberia descrever ou numerar a infinidade de possibilidades existentes em sua cabeça. É que com essas possibilidades, o amanhã pouco importa, se o hoje lhe surpreende.

Parabéns, Isa. Por toda sinceridade e coração doados nesse texto. Que ajam mais momentos de intensidade e profundeza em sua vida para nos presentear com novas escritas.
intensidade e ao mesmo nível leve, que sorte daqueles que conseguiram dividir o pouco de suas vidas com essa feminista incrível,geniosa e autêntica !