Das vezes que me acompanhei, nunca estive só
- Ana Carolina Ramos

- 14 de mar. de 2021
- 2 min de leitura
Sempre acreditei que gostar de mim
não era um bom negócio. Entende?
Cresci evitando todos os tipos de aproximações.
Uma parte em mim não suportava a ideia de magoar alguém com a minha inconstância.
A outra, por orgulho, não admitia demostrar sensibilidade
por medo de me machucar novamente ou puro egoísmo.
O certo é que evitar sempre foi a melhor saída, embora não goste de estar só.
E por falar em saída.
Bem, eu saí.
Para noites.
Dancei.
Fui para outras cidades.
Vi o mar.
E de cada praia, coleciono conchinhas.
Viajei para outro país.
Aprendi outra língua.
Bailei novos ritmos.
Ensinei forró.
Aprendi a beber.
Me tatuei.
E de quebra vivi dias de amor com um hippie "loco lindo".
Senti medo.
Passei frio e fome.
Vi pessoas humildes
oferecerem abrigo e colo.
Enquanto as de boas condições
aproveitavam de quem tem menos.
Eu vivi tudo isso.
Na minha companhia.
Busquei novas sensações para me sentir viva.
Recordar da minha força.
Precisei para aliviar a ausência de um antigo amor,
mas evitando um novo.
Passei a escrever.
Foi a maneira que encontrei de tirar a saudade de dentro de mim.
É como esgotar o antigo amor do peito.
Quando a bebida já não o transborda.
Hoje, está tudo mais calmo aqui.
Vivo melhor comigo mesma.
Aos poucos, percebi que talvez.
Eu disse, talvez gostar de mim
não seja tão ruim assim.
Então, me aparece você.
Que contrariando as minhas recomendações,
parece gostar.
Gosta das loucuras e doçuras do meu ser que vive em conflito.
Chega a ser engraçado,
você gostar assim de cara
da personalidade que demorei tanto a admirar.
É tão bom sentir sua ternura.
Eu já não aceitaria menos que isso mesmo.
E o importante é que tu sabes e prezas o mesmo sentimento.
É tão simples e leve, nós dois.
Tem carinho e tem respeito.
Nós zelamos um do outro.
E eu faço questão de dizer: você é importante para mim, como eu sou para você.
Hoje, não preciso mais de euforia e paixões arrebatadoras.
Essas, eu vivi e confesso que me deixaram exausta.
Minha alma busca por paz.
E ter você “pertin” deixa meu coração e corpo sereno.
Texto e imagem por: Ana Carolina Ramos



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