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O campeão

  • luizgx10
  • 29 de mar. de 2021
  • 2 min de leitura

Desde o dia que meu pai me levou para o primeiro treino comecei a nutrir o sonho de ser um jogador de futebol, vendo na televisão aqueles homens ricos, com os melhores carros, as melhores casas e tudo de melhor que a vida podia proporcionar a uma pessoa.

Na minha cabeça era tudo muito fácil, era só entrar no campo, jogar e ganhar o dinheiro o trabalho mais fácil do mundo. Então meu treinador perguntou em qual posição eu queria jogar, e eu sem nem saber o que significava aquela pergunta.

Conforme fui crescendo, meu treinador e meu pai (meus grandes incentivadores) foram me explicando todas as dificuldades que eu teria para atingir meu objetivo, e me falaram que eu passaria por uma “peneira”, eu sem saber do que se tratava os questionei, então me explicaram que era uma avaliação com diversos garotos que dividiam o mesmo sonho que eu.

Dei o melhor de mim, correi, roubei bola, fiz diversos gols e para minha alegria fui aprovado... Porém era só a primeira etapa das avaliações, percebi que era mais difícil ainda do que eu imaginava. Depois de um mês de testes fui aprovado e jogaria num clube profissional pela primeira vez.

Fiquei lá por um ano, tempo de muitas alegrias, aprendizados, mas também da maior tristeza da minha vida até aquele momento quando o diretor do clube simplesmente falou que eu não precisava mais aparecer lá no outro dia, chorei muito, meu pai não sabia como me consolar.

Após muito lamentar engoli o choro e voltei para os treinos no clube da minha cidade, onde sempre com o apoio do meu treinador continuei me dedicando ao máximo, fui para outra “peneira” fui mais uma vez aprovado. Fiquei nesse clube por dois anos, mas tive o mesmo triste desfecho da experiência anterior.

E assim foi, entre idas e vindas, durante minha infância e adolescência fui em diversos clubes, mas nunca consegui me firmar. Perto dos meus 18 anos terminei com muito custo a escola, pois treinava muito e não tinha tempo para estudar, a situação não era fácil em casa, via todos os sacrifícios dos meus pais, e tomei a decisão mais difícil da minha vida, ir atrás de um emprego “comum”.

Toda aquela ilusão dos melhores carros, da melhor casa, já não vivia mais dentro de mim. Pelo meu fraco desempenho escolar foi muito difícil arrumar um emprego, já que nenhum patrão perguntava “jogou onde fera?”. Com muito custo arrumei um emprego em uma cerâmica, não era o que eu tinha sonhado, mas foi a resposta que eu encontrei para o dilema do que eu queria e do que era necessário fazer.

Continuo sendo jogador de futebol, agora apenas aos fins de semana e a cada gol que faço na várzea aquele garoto sonhador surge em mim para comemorar. Mas com o tempo vi que mesmo fora do futebol conquistaria os meus títulos, o mais comemorado até hoje, ter conseguido comprar minha própria casa com suor do meu trabalho, não era o que eu havia sonhado na minha infância, mas naquele momento em que peguei a chave foi como receber a taça da Copa do Mundo em minhas mãos, enfim percebi que eu realmente era um campeão.

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"Não devemos acreditar nos muitos que dizem que só as pessoas livres devem ser educadas, deveríamos antes acreditar nos filósofos que dizem que só as pessoas educadas são livres."
Epicteto, filósofo romano e ex-excravo

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