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Da poesia, quero gosto e o sumo

  • Foto do escritor: Ana Carolina Ramos
    Ana Carolina Ramos
  • 21 de mar. de 2021
  • 2 min de leitura

A música “Tropicana” de Alceu Valença, em parceria com o melodista Vicente Barreto, foi um grande sucesso de nos anos 80 e segue no repertório dos shows do cantor.


Com a combinação da sonoridade e poesia da nossa raiz brasileira, o artista une diversos elementos nesta obra.


O jogo de sedução entre o narrador e a personagem é envolvente, ganhando ritmo com um arranjo musical no qual há mistura de instrumentos elétricos e percussivos.


As características femininas são descritas de maneira sutil e metafórica, através de comparações com os sabores e texturas de frutos tipicamente nordestinos.


Os sabores até então exóticos como a da manga rosa, sapoti, juá, umbu cajá e cana-caiana, erotizam com delicadeza o desejo em conhecer por completo os detalhes do corpo dessa mulher. Como exemplo, no seguinte trecho:


“Da manga rosa quero gosto e o sumo Melão maduro sapoti joá Jaboticaba seu olhar noturno Beijo travoso de umbú cajá Pele macia, é carne de caju Saliva doce, doce mel, mel de urucú Linda morena fruta de vez temporana Caldo de cana caiana Vem me desfrutar”.


A composição desperta a curiosidade e a imaginação. Se por um lado, podemos decifrar o que o autor está escrevendo, por outro, nos permite criar nossa própria interpretação da obra.


Caso não conheça os frutos citados, preparei a descrição de cada um. Abuse da imaginação para sentir a poesia de Alceu Valença!


Mel de uruçu

“Uruçu”deriva do tupi “eiru su”, que significa “abelha grande”. Esta abelha não possui ferrão e seu mel é considerado sofisticado, tem baixa acidez e leve sabor de própolis.






Sapoti

Sua casca é fina, a polpa doce e gelatinosa, e levemente adstringente.








Juá

Assemelha-se à ameixa, com cor amarelada ou alaranjada.










Manga rosa

A é polpa fibrosa, carnuda, perfumada e suculenta.









Melão

Polpa carnosa e suculenta, sabor suave e com abundância de água.









Jaboticaba

Casca escura e a polpa esbranquiçada doce.









Cajú

Polpa suculenta, ácida e adocicada.









Cana caiana

Tipo de cana-de-açucar, mais mole e com uma doçura suave.










Ambu cajá

Tem cheiro doce e sabor levemente azedo. Deixa uma sensação de “trava” na boca.









Texto por: Ana Carolina Ramos Imagens: divulgação

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"Não devemos acreditar nos muitos que dizem que só as pessoas livres devem ser educadas, deveríamos antes acreditar nos filósofos que dizem que só as pessoas educadas são livres."
Epicteto, filósofo romano e ex-excravo

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