Uma Contadora de Histórias
- vieiramelomalu
- 14 de jun. de 2021
- 2 min de leitura

Quando muito nova ouvir histórias sempre foi um dos meus mais prazerosos gostos. Ouvir as histórias que meu pai contava, de quando era jovem e inconsequente e por vezes tentar assimilar suas palavras com a figura paterna tão sábia e calma, era uma baita de uma dificuldade. Porém sempre prazerosa.
Acredito que, talvez, em vidas passadas meu pai foi um contador de histórias daqueles que todos param para ouvir, sabe? Por vezes sentávamos na sala, ele com sua cerveja na mão e eu esperando aflita só para poder devorar cada palavra e lembrança que ele me contaria de seu passado ainda na escola, as pessoas com quem falou, dos lugares que visitou e das coisas que viu.
Quando cresci, fiquei rebelde já não gostava mais de ouvir suas histórias ou parar no tempo para observa-lo lendo qualquer que fosse seu livro ou assistir os filmes que tanto gostava, brigávamos muito por termos ideias tão diferentes sobre o mundo, mas como pode ser? Se aquela menina amava tanto suas histórias?
Entretanto estava errada, pois foi quando a vida se encarregou de não me permitir ouvir uma única palavra sua que entendi o quanto éramos parecidos, e a única coisa que conseguia fazer a partir daquele momento, do momento que disse adeus, foi contar suas histórias.
Me tornei jornalista para um dia poder contar histórias para o mundo e talvez os encantar da maneira como você de encantou, pois uma parte de você vive em mim e talvez não fosse completa se não pudesse continuar compartilhando com o mundo os ensinamentos que me deu.
“Com o tempo sem perceber, alterei rotinas, costumes e o jeito de ver as coisas. De ouvinte a contador foi um pulo de pião que roda a trezentos e sessenta graus até encontrar o ponto em que o giro parece estático.” Doracino Naves, Jornalista.
Por: Maria Luiza Orsi.


Comentários