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Bola Fora: a polêmica sobre o futebol em meio a pandemia

  • luizgx10
  • 16 de mar. de 2021
  • 4 min de leitura

A pandemia do novo coronavírus teve impacto nas mais diversas áreas da nossa sociedade, e isso se reflete também no já bagunçado futebol brasileiro. Para entendermos melhor toda essa situação, vamos voltar mais ou menos um ano atrás quando a pandemia começou a tomar forma em nosso país.

Em 26 de fevereiro de 2020, foi anunciado o primeiro caso positivo da COVID-19 no Brasil. Em março, a OMS declarou a doença como uma pandemia. A partir desse movimento, começaram as restrições aos serviços considerados não essências, e o futebol também foi afetado. O Campeonato Paulista, por exemplo, foi paralisado em 16 de março, após o Dérbi campineiro entre Guarani e Ponte Preta, realizado já sem público, no estádio Brinco de Ouro da Princesa. Após esse jogo, o torcedor brasileiro ficou três meses em bola rolando no “país do futebol”.


Gol de Thallyson aos 43 minutos deu a vitória para o Guarani no Dérbi (Foto: David Oliveira/ GuaraniPress)


Até que, em 17 de junho, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro anunciou a volta do Campeonato Carioca já no dia seguinte (18) com a partida entre Flamengo e Bangu, no Maracanã. Uma decisão que gerou as mais distintas opiniões, pois o Rio de Janeiro havia apresentado o maior número de mortes pela pandemia 15 dias antes do anúncio da volta dos jogos.


O flamengo venceu o Bangu por 3x0 em partida que marcou o retorno do Campeonato Carioca (Foto: Alexandre Vidal/Flamengo)


Com o tempo, os demais campeonatos estaduais foram voltando, assim como as demais competições, e o calendário foi seguido sem interrupções até a final da Copa do Brasil, em 07 de março de 2021, entre Palmeiras e Grêmio, no Allianz Parque, que marcou o fim de 2020 para o futebol brasileiro.


Palmeiras derrotou o Grêmio na final da Copa do Brasil de 2020 (Foto: Buda Mendes/ Getty Images)


Com o calendário 2020 finalizado, se esperava que, em 2021, o futebol brasileiro tivesse um calendário mais apertado que o normal, mas que transcorresse sem problemas em relação à pandemia. Porém, após mais de um ano do primeiro caso de COVID-19 no Brasil, o país vive seu pior momento em relação à pandemia, e alguns campeonatos já estão sendo paralisados. O principal exemplo é o Campeonato Paulista, considerado o melhor estadual do país, paralisado até o próximo dia 30, por decisão do Governo do Estado de São Paulo. Porém, fica a pergunta: será que a paralisação dos jogos irá ajudar no combate a pandemia no estado?

E a resposta é um curto e grosso NÃO! O futebol, não sendo considerado atividade essencial, pode e deve ter discutida sua paralisação. Porém parar os estaduais não é a solução pois, além dos diversos testes feitos pelos envolvidos na realização do esporte, exigem menos deslocamentos que os demais, e podem ser feitos em ônibus próprios dos clubes ou fretados, sem precisar de aeroportos ou rodoviárias locais.

As decisões tomadas pelos responsáveis foram as piores possíveis. No estado de São Paulo, por exemplo, os jogos foram proibidos, mas os treinos liberados; no Ceará, jogos do estadual proibidos, mas de outras competições que recebem times de outros estados e países liberados; ou seja, as medidas anunciadas só prejudicam os clubes pequenos que têm nos estaduais sua principal fonte de renda, e muitas vezes a única competição em seus calendários.

Por isso, não espanta que os clubes paulistas busquem outro estado para a realização das partidas, como acontecerá no jogo entre São Bento e Palmeiras, na próxima quarta (17), no estádio Independência, em Belo Horizonte. Apesar de concordar com os clubes que o campeonato não deveria ser paralisado, ir jogar em outro estado é um péssimo exemplo para todos que esperam do futebol apoio no combate à pandemia.


Por falar em exemplo...

O que dizer da atitude do atacante Gabigol, do Flamengo, detido em um cassino clandestino em São Paulo, algo que é ilegal no país ainda mais em tempos de pandemia, já que no local se encontravam mais de 100 pessoas. Caso parecido foi dos jogadores Otero, Jô e Gustavo Silva, do Corinthians, que foram flagrados em resorts durante a folga em 8 de março. Pior que a postura dos jogadores foi a de seus respectivos clubes. No caso do Flamengo, a resposta foi que isso é problema pessoal do jogador e deixou que se reapresentasse normalmente nessa segunda (15); e o Corinthians nem se manifestou sobre o caso.

O Brasil está longe de ser exemplo na pandemia, e o futebol, infelizmente, resolveu seguir a mesma linha. Os jogadores abusando em momento de fase vermelha do plano SP mostra que os surtos que ocorreram nos clubes não são culpa apenas do futebol, mas sim da irresponsabilidade de todos os envolvidos na prática do esporte bretão, sejam eles políticos, jogadores, técnicos, dirigentes. Apesar de todas essas partes dizerem estar preocupadas com a ciência, só pensam em si mesmo e adotam medidas que prejudicam quem sempre esteve longe dos holofotes, os clubes pequenos. Como estão dizendo por aí: “não estamos no mesmo barco, estamos na mesma tempestade uns com barcos e outros nadando com todas as suas forças”.


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"Não devemos acreditar nos muitos que dizem que só as pessoas livres devem ser educadas, deveríamos antes acreditar nos filósofos que dizem que só as pessoas educadas são livres."
Epicteto, filósofo romano e ex-excravo

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