top of page

Ok, talvez eu tenha superestimado a influência do ZapZap.

  • Foto do escritor: João Monteiro
    João Monteiro
  • 5 de abr. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 6 de abr. de 2021

Durante os últimos três anos eu repeti um discurso sobre a influência das redes sociais nas eleições de governos de extrema direita pelo mundo, e isso é incontestável, eles dominaram esses espaços digitais, FATO, mas talvez eu tenha me apegado a apenas essa narrativa e ignorado muitos outros fatores, que fui percebendo lendo Adorno um dos fundadores da famosa "Escola de Frankfurt" e percebendo a origem Crítica à sociedade de comunicação de massa.


A influência das redes sociais é um pouco exagerada, principalmente nos Estados Unidos onde o Trump com o Steve Bannon como gerente de campanha ganharam as eleições de 2016.


Mas a culpa é realmente da presença na internet? Sendo que nos EUA o acesso à internet não é tão amplo, em lugares que o Trump é grande, exemplo; nas áreas rurais do meio-oeste e no Sul, o uso da internet é muito maior em áreas de alta densidade urbana que são polos de apoio democrata?


A extrema-direita cresceu na Europa e nos EUA justamente pelo fracasso da centro-esquerda e inexistência de uma extrema-esquerda capaz de movimentar forças políticas, principalmente no Leste Europeu onde por conta da ocupação Soviética a maioria dos Partidos Comunistas são ou proibidos (como na Polônia e Ucrânia) ou não possuem força alguma (Hungria).


A esquerda sofre campanha de desmoralização desde antes do Marx sequer começar a estudar Filosofia, a conspiração dos justos do Bebeuf em 1789 por exemplo foi esmagada com mais eficiência que qualquer outra insurreição na época do Terror, etc.


A mídia burguesa e a igreja católica, que são aparatos ideológicos do estado para reprodução do capitalismo (vide o livro do Althusser, Aparatos Ideológicos do Estado), sobre o assunto tiveram maior participação na despolitização e na campanha anti-esquerdista que a internet, papel esse que essas duas instituições sempre o fizeram desde a Primeira República, pois a internet ainda não possui o alcance de influência o suficiente para mobilizar tantas pessoas.


Qualquer estabelecimento que você entrar você vai ver necessariamente uma TV ligada em algum canal de TV aberta, se você visitar sua avó é muito provável que ela esteja assistindo a algum programa de jornalismo policial, enfim.


A mídia procura se dissociar completamente do governo Bolsonaro e responsabilizar terceiros por esse processo político que levou-o a ser presidente do país. Bolsonaro talvez tenha tomado relevância apenas em 2016, quando começou sua campanha presidencial, mas o Bolsonarismo existe há muito mais tempo no discurso de programas policiais de um rato bigodudo.


A internet é uma excelente ferramenta de disseminação de conhecimento (ou fake news) PORÉM ela não deve ser o foco principal da construção do poder popular, a classe trabalhadora não possui ideologia e não possui uma opinião política além de suprir suas necessidades básicas (saúde, habitação, trabalho e educação).


Comentários


kraft.jpg

"Não devemos acreditar nos muitos que dizem que só as pessoas livres devem ser educadas, deveríamos antes acreditar nos filósofos que dizem que só as pessoas educadas são livres."
Epicteto, filósofo romano e ex-excravo

GIFZ-BOLADO.gif
bottom of page