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Mar de Santos

  • Foto do escritor: Felipe Caléfe
    Felipe Caléfe
  • 14 de jun. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 16 de jun. de 2021


Longe de ser o mais romântico dos encontros mas era o que podíamos fazer; plano simples, comprar algumas cervejas e beber em um lugar em paz. Já era um tanto tarde, uma noite de 18 graus, mas as melhores coisas acontecem de forma espontânea não? Conversar e conhecer um ao outro fora do ambiente virtual, o qual seu advento merece uma menção honrosa, por permitir que as pessoas tenham uma chance de se expressarem antes de se encontrarem olhando nos olhos, ideal para um cara introvertido.


Uma chance de passar o dias dos namorados acompanhado não é algo que comumente as pessoas se dão ao luxo de descartar, além de acompanhado, possivelmente bem acompanhado.

O otimismo se confirmou, e como eram bonitos seus olhos, tanto que desejava alternativamente que o primeiro contato tivesse sim sido pessoalmente. Possuía uma voz calma, harmônica, gostosa de se ouvir, usava um perfume suave mas com intensidade suficiente que eu sabia que ficariam impregnados em minhas roupas depois de abraçá-la. Obviamente que vou reparar nesses detalhes, os valorizo, enxergo a beleza nas mínimas coisas as quais estamos presentes, principalmente em ocasiões como essa.


Surpreendentemente me senti à vontade com demasiada rapidez, talvez pela quantidade surpreendente de gostos em comum que descobri que tínhamos e também talvez pela forma como sua voz me fazia até esquecer o frio que estava fazendo. Sem demora estávamos fazendo um ao outro sorrir em meio às conversas, e a um longo tempo não me recordo de ter visto sorriso tão encantador, desejava que o tempo parasse nem que fosse por alguns minutos para eu poder apreciá-lo, mas o tempo é inexorável, e em seu progresso contínuo nossos lábios se tocaram.


Lembro de uma conversa na sala de aula do primário, antes de eu sequer eu conhecer qualquer praia, na qual meu colega de sala começa a me descrever como é bom tomar um banho de mar. Eu só podia imaginar, e o questionei se as ondas não atrapalhavam o sossego, se existia alguma praia em que o mar não tivesse ondas, ele me respondeu: “Santos, na praia de Santos não tem onda”.


Ao fim desse lapso de meio segundo, retorno a contragosto para a realidade e nela percebo que estava na presença de uma mulher incrível, carinhosa, de olhos sinceros, um sorriso honesto e um beijo lídimo. Ainda adorava café sem açúcar e carinho no cabelo, coisas que por coincidência realmente gosto de fazer.

O tempo não me dá tempo para contemplar meus devaneios, já de mãos dadas e conversando sobre nos vermos novamente, logo precisamos ir embora, não vivemos num filme da Disney e além de serem quase duas horas da manhã, estava realmente frio.


Vou vê-la novamente, sentir o que senti, ouvi e poder sorrir com sinceridade me sentindo a vontade ao seu lado em uma próxima oportunidade? Eu não tinha certeza, não existem garantias em nossas vidas, podemos apenas manter o otimismo.


Otimismo e preciosas memórias.


Meu casaco de fato ficou com seu perfume, o qual persistiu forte até o momento que o retirei para dormir naquela noite. Até hoje nunca conheci a cidade de Santos, mas se existem praias sem ondas lá e o sossego nelas é como eu imaginei no primário, posso dizer que essa noite me senti como se tivesse passado uma semana no mar de Santos.





 
 
 

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"Não devemos acreditar nos muitos que dizem que só as pessoas livres devem ser educadas, deveríamos antes acreditar nos filósofos que dizem que só as pessoas educadas são livres."
Epicteto, filósofo romano e ex-excravo

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