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o sonho de criança

  • Foto do escritor: Daniela Martins
    Daniela Martins
  • 21 de jun. de 2021
  • 2 min de leitura

Uma criança imperativa, extrovertida, comunicativa e curiosa. Me descobri uma futura jornalista ainda muito nova, quando percebi que o César Tralli apresentando o SPTV era bem mais legal do que ver desenhos animados na hora do almoço depois da aula. Ou quando sozinha em casa ligava uma câmera digital, com a menor qualidade de vídeo existente, e falava sozinha sonhando em apresentar o meu próprio jornal.

Na escola as minhas habilidades na área de humanas, as notas máximas nas provas de redação, e o incentivo dos professores, o sonho de cursar jornalismo aflorava cada dia mais. Até que chegou o terceiro ano do ensino médio, a pressão da escola particular para os alunos serem aprovados nas melhores faculdades públicas do país, para aumentar a credibilidade da escola e servir como o marketing perfeito para os novos alunos, tomou conta da minha cabeça de 16 anos que se matava para estudar em 36 horas semanais, participava de todos os cursos e aulas extras que a escola oferecia, fazia pelo menos um simulado por mês da prova da FUVEST.

Foi quando me vi completamente obcecada pela ideia de estudar na USP, talvez só dessa maneira o meu sonho de ser uma jornalista renomada iria se realizar. Só não esperava que uma semana antes de fazer a prova pela qual tinha me prepara o ano inteiro, meus pais iriam me convencer que não tínhamos condições financeiras para bancar minha vida na capital de São Paulo.

Fiquei sem chão, todo um ano de esforço para nada, todo o meu sonho de me formar em uma das melhores faculdades do Brasil tinha sido destruído e eu tive que me conformar que aquela decisão era a melhor para mim naquele momento.

Diante essa situação, escolhi uma faculdade particular na cidade do interior de São Paulo onde moro, me convenci completamente que chegaria ao mesmo lugar do meu sonho, mesmo que tomasse caminhos diferentes durante essa jornada.

Novos amigos, novos professores, novos desafios, o choque de sair direto do ensino e ser chutada diretamente o para o mundo adulto. A liberdade foi minha maior tentação quando deixei de assistir aulas para ir para o bar beber litros de cerveja no meio da semana, mas a responsabilidade apertou e tive que tomar decisões para manter meu foco e disciplina.

No final do primeiro ano a vida me pediu mais responsabilidade, quando fiz 18 anos e meu pai perdeu seu emprego. Tive que enfrentar mais um desafio de começar a trabalhar fora da minha área da comunicação para manter o meu sonho de cursar jornalismo, tendo que engolir sapos e desaforos e apenas pensando em conseguir me formar e realizar meu grande sonho de infância.

Hoje me mantenho focada em conseguir continuar a minha vida da melhor maneira, com toda a positividade possível, mesmo no meio de uma pandemia mundial onde todos estão passando por momentos difíceis psicologicamente, mas mantenho minha fé que tudo é apenas uma fase e que tudo vai acabar bem.


 
 
 

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"Não devemos acreditar nos muitos que dizem que só as pessoas livres devem ser educadas, deveríamos antes acreditar nos filósofos que dizem que só as pessoas educadas são livres."
Epicteto, filósofo romano e ex-excravo

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