Os sinais da carreira
- Gledson Félix
- 14 de jun. de 2021
- 4 min de leitura
Eu era mais um garoto que gostava de entender as coisas, como elas funcionavam, como eram construídas e o que envolvia a técnica usada para qualquer brinquedo. E é aí que começam a surgir os primeiros sinais do que lá na frente, seria uma carreira para mim. De fato, hoje vejo que os sinais eram evidentes. Sempre tive uma paixão por rádio e televisão, principalmente por rádios. Quando tinha 6 ou 7 anos, me lembro de sempre pedir um walkman ou radinho a pilha de presente para minha avó, que me atendia, e em pouco tempo me via desmontando o aparelho para entender como saia a música dele. Já um pouco maior, acho que com 11 anos, em nossos passeios pelo shopping, vira e mexe eu pedia para meus pais me levarem até a sede de uma emissora de tv, que ficava no mesmo complexo, pois sabia que próximo das 19 horas começava a ser exibido o jornal que era de lá transmitido. E cada vez mais essa paixão ficava evidente. Me lembro de acompanhar, ao vivo, transmissões históricas como o sequestro do apresentador Silvio Santos, a morte do governador de São Paulo, Mário Covas e o processo de escolha do novo papa, além, claro, da posse do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, que acompanhei na primeira tv que ganhei no meu quarto, uma Philco de 14 polegadas.
Todos esses episódios narrados causavam certa desconfiança em meus pais, pois além disso, desde pequeno, gostava de ler revistas e jornais, um deles em especial, o suplemento Cruzeirinho, cheio de atividades infantis, que acompanhava o Jornal Cruzeiro do Sul.
Também era assíduo -e até hoje sou- ouvinte das rádios regionais, sempre participando com ligações e, quando possível, visita as emissoras. Com certa “cara de pau”, chegava para os radialistas e dizia que queria ser locutor. Em todas as visitas era provocado, com perguntas se eu queria trabalhar em rádio um dia, mas, conforme fui conhecendo mais sobre o meio, percebia que aquilo seria um longo caminho a ser percorrido. O fato mais interessante é que, quase todas as vezes, insistiam em dizer que eu só me tornaria locutor se eu tivesse experiência e que eu precisava conhecer alguém na rádio para fazer uma indicação de estágio. E eu não conhecia ninguém a ponto de pedir um emprego, afinal, era apenas um adolescente.
Aos 14 anos descobri uma rádio comunitária, que tinha fama de aceitar jovens com algum talento, para começar como aprendizes. Lá fui eu e, neste momento, voltei a ter o sonho mais próximo de ser realizado. Conheci o cara que mais que um chefe, se tornaria um amigo e irmão pra toda vida: Hidalgo Netto, diretor da rádio, que me deu a primeira oportunidade de falar ao vivo em um microfone. Ali tive minha escola como locutor, não só sobre técnicas de locução e apresentação, mas também dicas sobre comportamento que levo até hoje, pois “talentos eram ofuscados quando o sucesso subia a cabeça”, me aconselhava Hidalgo.

Em 2008, no estúdio da rádio Super Fm. (Foto: Arquivo pessoal)
Após alguns anos participando daquela emissora, tive a oportunidade de cursar radialismo, curso técnico para efetivamente me tornar um locutor. Isso não significava emprego certo, então, após o curso, decidi me matricular em uma faculdade de jornalismo. Acabei trancando o curso um ano depois e passei a cursar publicidade, sem nunca deixar o rádio de lado, participando como locutor em eventos, formaturas e algumas breves participações em rádio. Durante a faculdade, fui caminhando mais para o lado da publicidade, passando por agências e empresas corporativas, mas sempre fazendo algo em relação ao rádio onde pudesse, afinal, tudo envolve comunicação. Quando achei que não voltaria mais a ser locutor, participei de um evento beneficente e, logo depois, fui convidado a fazer participações em uma emissora da cidade. E ali foram alguns anos passando por reportagem, apresentação de programas e cobertura de eventos, promoção e até comercial. Com uma certa carreira paralela como locutor, tive contato com diversas rádios e trabalhei em outras emissoras, mesmo com um emprego formal, em minha profissão como publicitário, sem nunca deixar de lado meu grande amor por rádio e tv. Depois de alguns anos participando esporadicamente destes projetos, após deixar o cargo em uma empresa corporativa, uma nova chance surgiu, quando um antigo chefe me convidou para um novo projeto na área do jornalismo. Aliado a isso, teria a oportunidade de finalizar a faculdade de jornalismo, que sempre foi meu sonho profissional.
Tenho uma certeza que sempre devemos fazer nosso melhor e, principalmente, fazer bem feito e ir em busca daquilo que realmente se deseja para a vida. Quando os caminhos se cruzam, temos que estar preparados para os desafios, e hoje vejo que, tudo que a gente deseja, uma certa hora pode chegar.
Sou grato a todas as pessoas que estiveram comigo nessa jornada, um garoto que gravava fitas k7 imitando os programas de rádio da época, hoje produz conteúdo para rádio e tv, e ainda trabalha com os profissionais que admirava quando era aquele garoto sonhador, que com orgulho, posso hoje chamar de colegas de profissão.




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