A violência e o jogar
- João Monteiro
- 18 de abr. de 2021
- 2 min de leitura
uma analise para além do senso comum.

Toda vez que levantamos essa discussão, nós jogadores corremos defender os videogames, e mantemos um debate muito superficial. Muitas vezes bem intencionado, é claro, há décadas tentamos provar que jogar não era apenas a causa da nossa improdutividade e que jogos podem ser benéficos para nosso desenvolvimento. Além de tentativas de criminalização dos jogos eletrônicos, aqui no Brasil e nos Estados Unidos com Joe Biden nos anos 90.
A discussão não é “videogames causam violência?” Essa é uma pergunta simples e simplista do tema, porque a gente responde ”não” e acaba aí. A discussão é “Qual a relação entre atos violentos e a cultura gemer?
A culpa de um ato violento é sempre de quem o cometeu e não da mídia que ela consome, mas achar que consumo de mídia acontece num vácuo espacial, sem nenhum elemento estrutural é um pouco ingênuo também.
Marx discute os elementos superestruturais. Esses são compostos de “formas definidas de consciência social (política, religiosa, ética, estética e assim por diante)” que juntas formam uma “ideologia”. A ideologia deve receber nossa atenção porque sua função é “legitimar o poder da classe dominante na sociedade”; em última análise, as ideias dominantes da sociedade são as ideias da classe dominante.
O desafio aqui é que essa ideologia não é evidente ou uma ordem a ser obedecida, é muito mais complexo do que isso, é sutil, oculto e ainda um fenômeno mais contraditório, e temos que entender o videogame como parte dessa superestrutura, mas também como artefato cultural, a “Cultura Gamer”.
Os Gamers que nos vêm à mente quando falamos em “cultura gamer” é um jovem, homem e branco. Que nascem como os públicos-alvo de campanhas de marketing, formação de mercado consumidor, perfis de gênero e raça contratados por empresas da área, etc.

Gamer não pode ser visto como identidade sem antes entende-lo como mercadoria. É uma estrutura completamente baseada em consumo.
A gente precisa se perguntar como a cultura machista se une a cultura gamer e porque muitos misóginos/homofóbicos e ódio a minorias encontram espaço tão facilmente no meio. E são essas questões que pretendo abordar nos próximos textos aqui no portal, pretendo fazer uma série de texto de análise cultural da violência e do vídeo game.
Nos vemos nos próximos textos.




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